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BIODIVERSIDADE

O Parque Estadual da Serra do Tabuleiro está localizado em uma região estratégica muito especial de remanescente da Mata Atlântica, com mais de 80 mil hectares de área, o Parque possui e protege uma ampla diversidade de habitats e espécies. Segundo o Plano de Manejo do Parque, o potencial efetivo de proteção da biodiversidade desta Unidade é considerado muito alto (IMA, 2018). Deste modo esta Unidade de Conservação representa uma importante área para manutenção da fauna e flora, com a presença de espécies ameaçadas de extinção, raras e endêmicas.

FLORA

De acordo com o Diagnóstico do Meio Físico e Biótico do Parque realizado no Plano Básico de Zoneamento em 2000, foram registradas 122 famílias botânicas para a região, e 91 especificamente já registradas dentro do PAEST. Dentro destas famílias, 1192 espécies para a região e 582 para o interior do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro (SOCIOAMBIENTAL,2000).

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FLORESTA OMBRÓFILA DENSA

A Floresta Ombrófila Densa se caracteriza por ser uma formação mais exuberante e complexa, devido à presença de solos mais profundos, apresentando uma densa comunidade arbórea de grande porte (30-35 m), entremeada por diversos estratos inferiores constituídos por árvores, arvoretas, arbustos e herbáceas, que formam vários agrupamentos distintos (KLEIN, 1978). Apresentando em seu estrato superior espécies arbóreas como Jacatirão (Miconia cinnamomifolia), Licurana (Hieronyma alchorneoides), laranjeira-do- mato (Sloanea guianensis), entre outros. No estrato inferior surgem espécies de sombra como o Palmiteiro (Euterpe edulis). Soma-se ainda a essa comunidade, uma diversidade de epífitas como Bromeliaceae, Orchidaceae, além de Pteridófitas e lianas lenhosas (KLEIN, 1980).

FOM

FLORESTA OMBRÓFILA MISTA

A Floresta Ombrófila Mista possui em seu dossel superior o Pinheiro Brasileiro (Araucaria angustifolia) além de outros gêneros primitivos (Podocarpus e Drymis) e pteridófitas como o xaxim (Dicksonia sellowiana) sendo esta espécie juntamente ao pinheiro brasileiro constam na lista de espécies ameaçadas de extinção.

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FORMAÇÕES PIONEIRAS COM INFLUÊNCIA FLUVIO-MARINHA

As Formações Pioneiras com Influência Fluvio-marinha (Mangue) são representadas principalmente por Avicennia germinans (mangue-preto), Rhizophora mangle (mangue-vermelho) e Talipariti sp. (algodão-da-praia).

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FORMAÇÕES PIONEIRAS COM INFLUÊNCIA MARINHA

As Formações Pioneiras com Influência Marinha (Restinga) apresentam diversas famílias botânicas como Asteraceae, Myrtaceae, Fabaceae, Rubiaceae, Orchidaceae e Melastomataceae. Nestes ecossistemas destacam-se plantas com potencial farmacológico como a Erva-baleeira (Cordia verbenacea), Marcela (Achyrocline satureioides) e Carqueja (Baccharis trimera).

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FORMAÇÕES PIONEIRAS COM INFLUÊNCIA FLAVIO-LACUSTRE

As Formações Pioneiras com Influência Flavio-lacustre (Brejo) destacam se entre as principais populações vegetais as Poaceae e Cyperaceae. também tem grande representatividade a espécie Taboa (Typha domingensis) e a ocorrência de Cavalinha (Equisetum giganteum), espécie representante de um dos grupos de plantas mais antigos do planeta, existente há cerca de 350 milhões de anos.

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CAMPOS DE ALTITUDE

Os Campos de Altitude, considerado os chapadões do parque são ocupados basicamente por vegetações herbáceas, onde há também agrupamentos densos de musgos do gênero Sphagum formador das turfeiras. Devido as peculiaridades deste ambiente há grande probabilidade de endemismos.

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ESPÉCIES AMEAÇADAS/ ENDÊMICAS/ RARAS

Podem ser encontradas aproximadamente 47 espécies da flora em algum grau de ameaça no interior do PAEST, como a Canela-preta (Ocotea catharinensis) e a orquídea (Laelia purpurata). 481 espécies são consideradas endêmicas do Brasil, 45 espécies com distribuição restrita à região Sul do país e 09 espécies apresentam distribuição natural restrita ao Estado de Santa Catarina, como a espécie recentemente descrita Commelina catharinensis e a bromélia Vriesea hoehneana endêmica de campos de altitude. Com efeito, foram identificadas seis espécies consideradas raras como Berberis campos-portoi e Handroanthus catarinenses.

FAUNA

O Parque abrange essencialmente ecossistemas terrestres e de transição e águas continentais. A seguir será apresentado uma breve descrição sobre os grupos dos vertebrados do PAEST: mastofauna, avifauna e herpetofauna.

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MASTOFAUNA

Ao longo de várias décadas inúmeros estudos foram realizados nesta área, incluindo estudos com mamíferos silvestres. Durante o período de 1991 à 2011, foram realizados mais de 20 estudos sobre a mastofauna do Parque, onde registraram mais de 80 espécies de mamíferos silvestres, das quais 15 são consideradas ameaçadas de extinção. Algumas das espécies de mamíferos encontradas na área do Parque e entorno: Tatu-galinha (Dasypus novemcinctus), Tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), Macaco-prego (Cebus sp.), Graxaim (Cerdocyon thous), Puma (Puma concolor), Gato-do-mato-pequeno (Leopardus guttulus), Lontra (Lontra longicaudis), Quati (Nasua nasua), Cateto (Pecari tajacu), Queixada (Tayassu pecari), Veado (Mazana nana), Capivara (Hydrochoerus hydrochaeris), Anta (Tapirus terrestres) e muitos outros.

Toda esta diversidade de mamíferos encontrada no Parque Estadual Serra do Tabuleiro evidencia a importância e necessidade de novos estudos e principalmente da sua conservação, sempre pensando na proporção e na conexão entre as áreas naturais protegidas, já que os animais não se limitam em apenas uma linha criada pelo homem e vista por mapas.

Espécies ameaçadas/ Endêmicas/Raras

Destacam-se nesta categoria várias espécies típicas de mamíferos da Mata Atlântica como Bugio (Alouatta guariba), Cuíca-d’água (Chironectes minimus), o preá da ilha moleques do sul (Cavia intermedia), restrito à pequena ilha oceânica e considerado um dos mamíferos mais raros do planeta, entre outros.

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AVIFAUNA

A diversidade de aves em nossa região pode ser considerada muito rica. Diante disto estudos foram realizados, apontando a ocorrência de aproximadamente 300 espécies de aves, e se considerarmos áreas próximas ao Parque o número aumenta para aproximadamente 400 espécies que representam mais de 60% das aves do Estado de Santa Catarina. Além de abrigar muitas espécies próprias como Sabiás (Turdus spp.), Saíras (Tangara spp.) Curicaca (Theristicus caudatus), Urubus (Cathartes spp.) diversas espécies de Gaviões e muitos outros, o Parque também é considerado um refúgio de aves migratórias como Colhereiro (Platalea ajaja), Cegonha (Ciconia ciconia) e Flamingo-grande-dos-andes (Phoenicoparrus andinus).

Espécies ameaçadas/ Endêmicas/Raras

Encontram-se nessas categorias espécies como o Macuco (Tinamus solitarius), Jacutinga (Aburria jacutinga), Gralha-azul (Cyanocorax caeruleus), Gavião-real (Harpia harpyja), Papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) e a Maria-da-restinga (Phylloscartes kronei).

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HERPETOFAUNA

Estima-se a ocorrência de 48 espécies de anfíbios e 59 espécies de répteis, porém, infelizmente esse é um dos grupos menos estudados no território do Parque. No grupo dos répteis encontramos os Quelônios (tartarugas, jabutis, cágados), Crocodilianos (jacarés) e os Escamados que são divididos em Lacertílios (lagartos e iguanas) e Ofídios (serpentes). Em relação aos anfíbios (sapos, rãs e pererecas) estes destacam-se como indicadores de boa qualidade ambiental, como os anuros Aplastodiscus spp., Vitreorana spp. (Pererecas) e Proceratophrys subguttata (Sapinhos-de-chifres).

Espécies ameaçadas/ Endêmicas/Raras

Dentre os répteis e anfíbios, o Sapo-untanha (Ceratophrys aurita), a Rãzinha-de-folhiço endêmica da região (Ischnocnema manezinho) e a Muçurana (Clelia plumbea).

Além da Herpetofauna, a ictiofauna (peixes) também se destaca como um grupo de vertebrados que carece de estudos relacionados no interior do parque (IMA, 2018).  Por sua vez, os invertebrados também necessitam de mais estudos sobre a biodiversidade existente no PAEST. Segue alguns dados recentes.

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INVERTEBRADOS

Recentes estudos sobre invertebrados foram realizados no PAEST, ocorridos entre 2012 a 2018, verificaram que, para os artrópodes, 3 ordens se destacaram nos trabalhos realizados, são elas:  Lepdópteros (borboletas e mariposas), Dípteros (moscas, mosquitos, varejeiras, pernilongos, borrachudos e mutucas.), Hymenopteros (vespas, abelhas e formigas). Os helmintos, animais endoparasitos também são focos de pesquisas cientificas no interior do Parque.

TEXTO REDIGIDO E ADAPTADO POR JULIANA ROEMERS MOACYR, SAMUEL PETRI E EDUARDO SCHNITZLER MOURE

BIBLIOGRAFIA

BRUGGEMANN, Fernando Maciel. Um olhar Naturalista da Serra do Tabuleiro e Região. 1º Edição. Santo Amaro da Imperatriz. Damérica, 2012.


SOCIOAMBIENTAL - Consultores Associados Ltda. E Dinâmica – Projetos Ambientais Ltda. PBZ - Produto Básico do Zoneamento do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. 2000.


IMA - Instituto Estadual do Meio Ambiente. Plano de Manejo do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. STCP Engenharia de Projetos Ltda CURITIBA. 2018.


KLEIN, R. M. 1978. Mapa Fitogeográfico do Estado de Santa Catarina. Flora Ilustrada Catarinense. Itajaí: Herbário Barbosa Rodrigues. 24p.


____________. 1980. Ecologia da Flora e Vegetação do Vale do Itajaí. Sellowia. 32p.